quarta-feira, 25 de novembro de 2015

 Brasserie Cantillon, desde 1900



O que eu mais gosto daqui, é a tradição. Uma das mais tradicionais cervejarias da Bélgica, a Cantillon, é especialista em cervejas do tipo "Lambic", em que o processo de fermentação é espontâneo. Além disso, também fabrica os tipos "gueuze, faro kriek" em copos e garrafas maiores. 

Fermentação espontânea

O local existe desde 1900, e seus processos de produção são antigos e artesanais (os mesmos, praticamente). É possível visitar a cervejaria. As portas abrem de segunda à sábado, das 10h às 16h. Certos equipamentos mais antigos são mantidos na pequena "fábrica" e você pode fotografá-los. 




Para a visitação, não há necessidade de reservas, a não ser que você apareça por lá em um grande grupo. O valor está em 7 euros, mas o bacana é que, no final do passeio, você pode degustar uma cervejinha pelo valor pago. Além da visita, você pode apenas passar lá para comprar uma cerveja. As garrafas são bonitas, é um ótimo presente. 



Lembrando que essas cervejas são um pouco diferentes das cervejas comuns. Podem ser ácidas e azedinhas. Então, para quem ainda não está acostumado, pode ser que haja um certo "estranhamento" nos primeiros goles. 




Vale a experiência e eu adoro!

Visitas podem ser feitas em 3 línguas: francês, inglês e holandês. 

Família Cantillon


Mais informações, aqui no link.    


Bisous!



*Imagens: acervo pessoal

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Molenbeek, uma das 19 comunas de Bruxelas





A menos de uma semana do trágico atentado em Paris, que vitimou inúmeras pessoas em 6 locais diferentes, comandados e efetuados por membros do IE, uma região de Bruxelas vem ganhando notoriedade na mídia mundial, por ser o local onde residiam alguns dos responsáveis pela tragédia. 


Falo da Comuna de Molenbeek-Saint Jean (uma das 19 Comunas que compõem a região de Bruxelas - Capital), popularmente conhecida como Molenbeek, um local pitoresco, popular e cheio de imigrantes e feirinhas, a poucos quilômetros do centre-ville. Com quase 100 mil habitantes, a região é extremamente populosa, seus moradores são belgas e, principalmente, magrebinos (imigrantes vindos do Marrocos, Tunísia, Argélia e Líbia). Além do mais, por ali também circulam paquistaneses, portugueses, espanhóis, italianos, poloneses, sérvios e romenos. 

A partir da Primeira Guerra Mundial, a Bélgica teve uma política imigratória, fazendo com que alguns povos francófonos viessem para o país. Nessa época, o local estava em recuperação devido aos reflexos das batalhas. Muitos dos moradores locais têm apenas a descendência, pois nasceram aqui no país, são belgas, porém, externalizam sua cultura imigrante.

Mas o que antes era apenas uma região da Bélgica tornou-se notícia no mundo todo. Atualmente, Molenbeek está contextualizada como um dos centros do terrorismo mundial. A má fama da Comuna está ligada ao fato de ser o local em que viviam os protagonistas dos últimos atentados na Europa. 

Após a divulgação dos nomes e dos endereços dos terroristas na mídia mundial (que não cabe a mim replicar), os moradores e simpatizantes de Molenbeek estão sofrendo com as comparações de conduta. Muitos habitantes dali são pessoas de bem, comerciantes, trabalhadores que vivem na Comuna e que defendem a região. Eles também estão apreensivos com o que acontecerá a partir de agora. 

Na noite de 18 de novembro, muitos moradores e adoradores de Molenbeek reuniram-se em vigília pela paz e pelas vítimas dos atentados em Paris. E o que todos desejam, é que a paz volte à região bruxelloise e, também, que o local não fique estigmatizado pelo terrorismo. 


Bisous!


*Para informações sobre a Bélgica e sua divisão, um artigo meu para o Manual do Turista ajuda a esclarecer um pouquinho. Acesse o link.


*Imagem: Patrice Deramaix




quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Doce Bélgica: seus aromas, suas chocolateries


Neuhaus. Praline 1958 - os preferidos de Brigitte Bardot

É impossível visitar a Bélgica sem ganhar alguns quilinhos na balança. O país é especialista em coisas boas. São cervejas, moules-frites, batatas-fritas, gaufres e chocolates, muitos e de todos os tipos, decorados e expostos como joias nas vitrines belgas.




Hoje é feriado por aqui, mais um dia de feriado belga. Oh gente que sabe viver, ulalá! Por isso, acordei com uma vontade enorme de experimentar só mais um docinho, só mais um pedacinho do melhor chocolate do mundo (sim, e eles brigam para manter a tradição). E por que não compartilhar essa bela experiência aqui no blog, não é mesmo?






Bom, começo identificando os tipos de chocolates: o chocolate amargo ou noir, o chocolate ao leite, mais adocicado, o branco e os pralines, ou bombons recheados.  





Independente de qual seja a escolha do cliente, todos são maravilhosos. Podem ser misturados com frutas e especiarias, ou recheados com licores,  e derretem na boca a cada mordida. Uma explosão de prazer. 




Os famosos chocolates belgas são vendidos por todos os cantos do país. No supermercado, qualquer marca belga que estiver exposta será de alta qualidade, inclusive as linhas mais baratas da marca 365, no supermercado Delhaize, maior rede daqui.





Museu do Chocolate


Para os amantes de história, aqui é possível saber tudo sobre os chocolates, como surgiram, sua produção, os utensílios utilizados, como tudo começou. Basta vistar o Museu do Chocolate, ou "Choco-Story Brussels". Fica no centro de Bruxelas e é possível fazer visitação. 




Informações: fecha nas segundas-feiras

Valores:  Preços: Adulto 6 €; Estudante e sênior 5 €; Jovens de 12 a 18 anos 5 €; Crianças de 6 a 12 anos 3,50 €; Grátis para crianças menores de 5 anos acompanhadas pelos pais



Chocolateries





Para quem prefere se perder pela estética dos belíssimos pralines, o melhor lugar para encontrá-los é nas Galeries Saint Hubert, ao lado da Grand Place em Bruxelas. 




Ali, encontram-se as principais chocolateries do país, escolher as delícias entre tantas variedades e formas é sempre uma difícil tarefa. Vale a experiência.  




E os atendentes estarão sempre prontos a dar informações sobre a marca escolhida. 




Pierre Marcolini: haute chocolaterie 

Leonidas

La Belgique Gourmande



Godiva

Neuhaus



Planète Chocolat


Corné Port-Royal 






Ficou com água na boca? 



Então está aí uma das melhores dicas de viagem para quem, assim como eu, ama viagens e chocolates.






Bisous!


*Imagens: acervo pessoal

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Casa do Brasil na Bélgica: a multiculturalidade brasileira



Um dos lugares mais queridos por nós brasileiros, em Bruxelas,  é a Casa do Brasil na Bélgica. Idealizada pela Embaixada Brasileira, a Casa é um espaço cultural, voltado a artistas que vivem aqui, e que queiram mostrar sua arte, suas criações, para a comunidade belga. 

Os eventos são diversos e a programação é intensa. São instalações, vernissages, exposições de arte contemporânea, fotografias, performance de dança, comidinhas típicas e, uma vez ao mês, exposição de cinema brasileiro. O mais interessante, é que esse espaço é aberto ao público, gratuitamente. 

Aos que passam pela calçada da Avenue Louise, 350, percebem a movimentação da galeria, que está localizada no andar térreo. Os frequentadores são brasileiros e belgas, há uma curiosa mistura de gostos e assuntos, mas todos que ali estão, buscam a multiculturalidade do Brasil.  




A riqueza cultural é sentida ao pisar na Casa, cujo minimalismo e a sofisticação, nos remetem à famosas galerias de arte pela Europa. É o ponto de equilíbrio entre brasileiros e belgas, adoradores das artes, seja ela qual for. E as gentilezas ali trocadas são múltiplas, da troca de cartões e de estilos artísticos à boa risada brasileira e histórias, dos garçons circulando pelo salão aos responsáveis pelo espaço que recepcionam amavelmente os convidados.

É um pedacinho do Brasil na Bélgica, em que podemos respirar "os ares" tropicais que tanto sentimos falta ao estarmos longe. Gente querida por todos os cantos, conversa boa e artistas de talento.


Vernissage: 06/11 - 27/11



Esse mês está acontecendo a exposição do artista plástico Tito Porazza, denominada "As Poderosas Gordinhas". 





Acompanhe a programação aqui.


Bisous!


Imagens: Embassy of Brazil in Belgium



segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Concurso de cervejeiros na Bélgica




Um pouco de "cultura cervejeira" não faz mal algum. Então, hoje é dia de conhecer mais sobre as cervejas belgas. 

Por aqui, a gurizada fabrica cervejas o tempo todo, sempre em busca de melhores processos, ingredientes, sabores e qualidade. E diversão, é claro!

Esse ano, a empresa belga Brouwland, especializada em insumos e utensílios para cervejeiros, premiou dois grupos de jovens produtores, em duas categorias: melhor brasserie amadora e melhor brasserie estudantil.





E os vencedores foram:

Melhor Brasserie amadora: De Goedheilige Mannen

Melhor brasserie estudantil: Brouwerij Den Druppel 



Confira os vídeos, e tudo o que você ainda não sabe sobre cervejas...mas deseja saber!




Espero que gostem.

Bisous!



Informações: Mabière 
*Imagens: acervo pessoal

sábado, 31 de outubro de 2015

A cultura da cerveja



La bière...


A adoração às cervejas artesanais tem crescido muito nos últimos anos. No Brasil, na Bélgica e em diversos países, é impressionante a valorização aos rótulos artesanais, com processos de produção, gostos e produtos elementares.

Da produção caseira, em panelas e quintais, a cervejarias sofisticadas e abertas ao grande público, o líquido sagrado ganha novos seguidores, adeptos ao rótulo. 




Muitas pessoas fazem produção caseira, apenas para o consumo próprio. Fabricam pequenas quantidades, misturando os ingredientes essenciais - lúpulo, água e malte - a frutas, temperos e especiarias. "Há todo um envolvimento" para fazer a cerveja, que começa na compra dos equipamentos e ingredientes, passa pela escolha das receitas ou, ao menos, pelo tipo de cerveja a ser criado caso pretenda inventar novos sabores, e termina nas várias degustações, após o período de fermentação. 




O tempo de duração de todos os processos varia, alguns "produtores de quintais" falam em 20 dias, outros em 40 dias, então, calculamos uma média de um mês. Esse é o tempo para abrir a "tampinha" e se esbaldar,"cervejando". E o legal é que as pessoas estão produzindo algo para o consumo próprio: autoprodução, autoconsumo e bebidas de qualidade. 




O mais bacana é que os fãs da produção caseira chegam a criar grupos, confrarias de produtores, para fazer as provas, conversar a respeito dos processos e "trocar" litros. É uma espécie de "escambo", onde os participantes trocam sabores, receitas e experiências. E ainda levam para casa o gostinho da bière!

Além das confrarias, muitos eventos com cervejas artesanais estão acontecendo. No Brasil, a cultura já era forte e, aqui na Bélgica, os eventos acontecem "diariamente", e com muitos seguidores. 




São organizados por cervejeiros, pequenos produtores, bares e cervejarias, e por marcas maiores que tenham alguma linha especial de produção "artesanal". O bom é que esses eventos lotam, os bebedores de cerveja comparecem em peso, e descrevem as sensações e os diferentes tipos como mestres.

O que, há alguns anos, era apenas tendência, hoje está virando tradição! 


Bisous!



*Imagens: Acervo pessoal

  

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Um outono em Bruxelas...





Uma névoa de Outono o ar raro vela, 
Cores de meia-cor pairam no céu. 
O que indistintamente se revela, 
Árvores, casas, montes, nada é meu. 

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono. 
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como. 
Mas entre mim e ver há um grande sono. 
De sentir é só a janela a que eu assomo. 

Amanhã, se estiver um dia igual, 
Mas se for outro, porque é amanhã, 
Terei outra verdade, universal, 
E será como esta [...]


Uma névoa de Outono

Fernando Pessoa





















*Imagens: Acervo pessoal