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sábado, 31 de outubro de 2015

A cultura da cerveja



La bière...


A adoração às cervejas artesanais tem crescido muito nos últimos anos. No Brasil, na Bélgica e em diversos países, é impressionante a valorização aos rótulos artesanais, com processos de produção, gostos e produtos elementares.

Da produção caseira, em panelas e quintais, a cervejarias sofisticadas e abertas ao grande público, o líquido sagrado ganha novos seguidores, adeptos ao rótulo. 




Muitas pessoas fazem produção caseira, apenas para o consumo próprio. Fabricam pequenas quantidades, misturando os ingredientes essenciais - lúpulo, água e malte - a frutas, temperos e especiarias. "Há todo um envolvimento" para fazer a cerveja, que começa na compra dos equipamentos e ingredientes, passa pela escolha das receitas ou, ao menos, pelo tipo de cerveja a ser criado caso pretenda inventar novos sabores, e termina nas várias degustações, após o período de fermentação. 




O tempo de duração de todos os processos varia, alguns "produtores de quintais" falam em 20 dias, outros em 40 dias, então, calculamos uma média de um mês. Esse é o tempo para abrir a "tampinha" e se esbaldar,"cervejando". E o legal é que as pessoas estão produzindo algo para o consumo próprio: autoprodução, autoconsumo e bebidas de qualidade. 




O mais bacana é que os fãs da produção caseira chegam a criar grupos, confrarias de produtores, para fazer as provas, conversar a respeito dos processos e "trocar" litros. É uma espécie de "escambo", onde os participantes trocam sabores, receitas e experiências. E ainda levam para casa o gostinho da bière!

Além das confrarias, muitos eventos com cervejas artesanais estão acontecendo. No Brasil, a cultura já era forte e, aqui na Bélgica, os eventos acontecem "diariamente", e com muitos seguidores. 




São organizados por cervejeiros, pequenos produtores, bares e cervejarias, e por marcas maiores que tenham alguma linha especial de produção "artesanal". O bom é que esses eventos lotam, os bebedores de cerveja comparecem em peso, e descrevem as sensações e os diferentes tipos como mestres.

O que, há alguns anos, era apenas tendência, hoje está virando tradição! 


Bisous!



*Imagens: Acervo pessoal

  

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Fabienne Delvigne: a chapeleira da realeza belga


Fabienne

Não é apenas Kate Middleton e a realeza britânica que usam os famosos e desejados chapéus e fascinators! 

Aqui na Bélgica, a Rainha Mathilde está sempre "abafando" quando se trata de moda, classe e alta costura. E nada melhor do que ter uma Rainha e a Família Real como "garota-propaganda" da marca. 


Rainha Mathilde


Não há um evento sequer em que a Rainha apareça, ao menos em algum momento, sem um belo chapéu. Por isso, resolvi mostrar a vocês a marca que está por trás da monarquia belga, Fornecedora oficial da Realeza, a qual chama-se Fabienne Delvigne (FD), homônima à sua criadora. 


O chapéu delicadamente feito à mão, em sua oficina
Uma de suas criações


O cuidado com cada detalhe do acessório impressiona. São muitas criações, uma ampla cartela de cores e acabamentos impecáveis. Realmente, é uma arte, a arte de criar um objeto como se fosse uma verdadeira joia. E, financeiramente, até pode ser. Mas a coleção mais barata custa (a partir de) 150 euros. Já as mais caras podem ultrapassar o valor de 1.000 euros! A maioria dos acessórios são criados sob encomenda e para alguém, especificamente, por isso sabemos bem o valor agregado a cada nova peça. 




Sobre a marca lançada em 1987, em 1990 colaborou com algumas maisons de haute couture aqui em Bruxelas, como Giorgio Armani, Natan, Chanel e YSL, tornando-se conhecida em um seleto grupo de consumidores. Em 1995, Paola, a então Rainha, junto com a Rainha Sylvia, da Suécia, passaram a usar os acessórios da marca, que em 1999 finalmente foram consagrados por sua aparição em diversas "cabeças da realeza", no matrimônio do Príncipe Philippe com a Princesa Mathilde.

As coleções de Fabienne Delvigne são divididas em Collection Couture e Collection Trendy, sendo a última o que há de mais novo, ou melhor, é a tendência, a última moda em chapéus e fascinators, desenvolvida a cada troca de estação. E não são pensadas apenas para as cabeças femininas, chapéus masculinos também fazem parte das criações da estilista.




Não preciso nem falar o quanto essa marca é amada e desejada pelas belgas. Ter um chapéu, uma bijou ou um acessório de FD é vestir alta costura. E é a marca belga que melhor representa a sofisticada sociedade de Bruxelas. 

               FD - The Great Gatsby Collection




No Brasil, temos pouco hábito de usar chapéus como enfeites. Geralmente eles aparecem nas praias e em modelos e materiais bem diferentes do que costumamos ver por aqui, ou, quando aparecem mais modernos (em cerimônias sociais, casamentos, batizados), são pouco usados. Entretanto, deveríamos. Além de charmosos e sofisticados, alguns modelos protegem do sol e do calor, coisa que para nós, brasileiras e habitantes de um país tropical e "caloroso" é super importante.

Endereço do Atelier: Rue Fauchille 8, 1150, Brussels, Belgium.


Bisous!



*Imagens:  http://m.lalibre.be/ http://www.unica.ro/  http://www.hln.be/ http://www.rtbf.be/ 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O mar do Norte dos belgas: Oostende


Que a Bélgica não tem um clima muito propício à praia, a gente já sabe, ainda mais para os padrões brasileiros, em que as temperaturas elevadas do verão ultrapassam facilmente a casa dos 35º. 

Ok, tudo bem. Mesmo assim, existe um amplo litoral na costa do país, onde os belgas aproveitam para investir em imóveis de veraneio, passear, tirar o pé do acelerador (como fazemos) e curtir os finais de semana de temperaturas "agradáveis".

Da minha chegada ao país até agora, conheci alguns belgas e um pouquinho da cultura e hábitos deles que indicam conhecer a praia de Oostende, próximo a Bruges ao norte. Da capital, viajando de trem, o trajeto dura um pouco mais de 1h e nos finais de semana é possível pagar o valor de apenas uma passagem, voltando no mesmo dia (17,60 euros).

Vou confessar: protelei praticamente o verão todo daqui. Pensava em conhecer Oostende, mas alguns relatos de "não belgas" sempre me faziam repensar a expectativa de uma brasileira, louca por praia e sol, de ir à uma praia, em um lugar frio, ventoso e com a água gelada! Enfim, só não "mordi a língua" porque não conhecia o litoral da Bélgica e apenas escutava os relatos negativos.




Mar azul, areia fofa e um pôr do sol dourado


Por sorte tive uma surpresa inesperada. A primeira coisa boa de lá é que, em vez de lindas pedras, pedrinhas e pedrões(como é grande parte do litoral europeu, lindo de morrer mas quase inacessível aos nossos pezinhos), encontrei uma grande faixa de areia "fofa", uma esfoliação "natural" para nós mulheres. A água é apenas um "pouco" mais fria que o mar do litoral gaúcho, sem ondas, praticamente uma piscina, convida ao banho. E para a minha sorte, o fim de semana foi sem vento e com temperaturas na faixa dos 28º, o que para nós pode parecer pouco quente ainda, mas, por aqui, é um dia de alto calor e suor!

Gostei muito! Acho que vale o passeio! O visual é bonito, mar azulzinho, areia amarelinha e muita gente na praia (praticamente uma Copacabana no verão, hehehe). 

O pôr do sol é encantador. O sol se põe no mar, então, quanto mais as horas passam, mais sol tem na faixa de areia. E o reflexo dourado do rei sol no mar indo embora é realmente belo. 



Algumas curiosidades


Uma curiosidade bem interessante e que eu nunca vi em outro lugar: às 18h30, os salva-vidas passam em seus botes, no mar, com apitos sinalizando e pedindo aos banhistas que voltem para a areia. É que eles estão encerrando o expediente, por isso não é mais permitido o banho no local. Achei estranho, mas perguntei a um salva-vidas e ele mesmo respondeu isso. Bom, um pouco estranho, não é? Mas também um motivo de segurança aos banhistas. Claro, assim como em qualquer lugar, alguns permaneceram na água, mas a maioria foi saindo aos poucos da praia e tomando as ruas que já estavam lotadas. 

Além do mais, duchas e "vestiários" estão disponíveis na areia. Mas se você espera encontrar cadeiras e guarda-sóis para alugar, esqueça. Eles não usam, estendem suas toalhas e se atiram ali mesmo. Alguns usam uma "meia" barraca, que abriga apenas a cabeça ou uma pequena criança. 

E filtro solar é artigo de luxo por essas areias, os belgas adoram o pouco sol que têm, tiram a roupa, muitos nem se preocupam com a sunga, vão de cueca mesmo e erguem seus rostos para o sol, como em um momento de êxtase. Bonito de ver!


Evento de moda na saída da praia: mode in Oostende


E como é bom sair da areia e, sem prever, ir ao encontro de um evento de moda. Dei sorte mesmo! Sábado é um dia clássico, as pessoas estão mais à vontade, alegres e cheias de ideias para compartilhar.

A multimarcas Ferm Clothing estava a "todo vapor", com coquetel e um desfile lindo e cheio de criatividade. Muitos clientes por ali circulavam, uma tenda foi montada na calçada, onde as modelos e os maquiadores faziam o make up em frente ao público. Drinks, fotógrafo e Dj deram vida ao cenário simples, montado em frente à loja que seguia suas vendas normalmente. 

A pequena passarela foi montada com apenas três caixotes em madeira, como aqueles que encontramos nas feiras de verduras! Um luxo, sóbrio, sustentável e com um grande efeito!

Aliás, quando se trata de moda, os belgas são muito austeros!

Bisous!




*Imagens: Ana Laura Visentini



quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Hotel de Ville de Bruxelas: um espetáculo gótico e clássico

Hoje quero mostrar, um pouquinho, o prédio mais lindo da cidade e sua beleza acachapante! 

É difícil entrar na Grand Place e não se impressionar com a estética desse prédio, que abriga a prefeitura da cidade de Bruxelas. É tão rico em detalhes que eu não saberia explicar apenas em palavras, mas as imagens me ajudarão a tornar essa experiência realidade.

Por trás de sua arquitetura


A construção do prédio foi efetuada em partes. A primeira obra iniciou em 1401 com a construção da ala esquerda (
10 baias, 11 arcos) e da base da torre, demorando 20 anos até ficar pronta. Seus arquitetos foram Jacques van Thienen, Jean Bornoy e G. Vander Broecke. 

Alguns anos após, outra ala foi levantada, em 1444, à direita (7 baias, 6 arcos). Essa foi mais rápida e finalizada 5 anos depois pelo arquiteto 
Guillaume de Vogel. Para completar o prédio, a parte superior da Torre octogonal, junto com o sino, foi erguida entre as duas alas "fechando" o espaço, de 1149 a 1151, pelo também arquiteto Jean van Ruysbroeck. Ao mesmo tempo, criou-se um portal, uma passagem entre as duas alas.

 http://www.scottphotographics.com/
Show de luzes na Procissão de Ommegang


As alas, esquerda e direita, não têm o mesmo tamanho e isso é visível. Entretanto, a construção é harmônica e muito importante justamente por não ser uma obra simétrica, projetada unicamente. Cada parte foi criada em separado, pois o terreno não era em tamanho original, existiam casas construídas no local, então as alas passaram a ser planejadas conforme o terreno aumentava.



O mesmo acontece com a parte da frente e a parte de trás. São dois estilos de arte, o
 gótico, que compreende toda a frente que dá para a Grand Place, e o estilo clássico (mais sóbrio) dos "fundos" do prédio na Rue de l'Amigo. O que ocorreu, realmente, foi que essa parte acabou bombardeada pela França, em 1695, sob o comando do Marechal Villeroy, sendo reconstruída, alguns anos depois, pelo arquiteto bruxelloise Corneille van Nerven. Entre as partes, um pátio enfeitado com estátuas em mármore compõe o cenário íntimo.

As imagens abaixo são da parte interna do prédio.



Para finalizar, a fachada foi finamente decorada com estátuas de Duques e Duquesas, gárgulas e parapeitos, tudo isso em pedra. U
ma harmonização que impressiona! 




Um suicídio: a lenda da Torre


Existe uma lenda secular que ronda a cidade. "Dizem" que, ao reparar a assimetria da fachada, o arquiteto que projetou o edifício subiu até o alto da Torre e pulou, cometendo suicídio. Mas a realidade da obra mostra que é apenas uma lenda, visto que as alas foram projetadas e construídas, aos poucos, por vários arquitetos, aqui citados, e em diferentes anos! 

Mas a lenda povoa a imaginação de muitos bruxelloises até hoje!
  

Um Anjo chamado Miguel


No topo da Torre, há uma estátua dourada (1454) criada pelo artista Martin Van Rode. É o anjo Miguel (Saint Michel), padroeiro de Bruxelas, com sua seta apontada para o dragão, o qual representava o diabo. 

Imagem: Brussels Life 


Exposição de Floristas


Uma grande exposição de flores idealizada pelo decorador Frederiek Van Pamel, denominada "Barroco Italiano", foi instalada dentro do Hotel de Ville e aberta ao público. Como as flores são verdadeiras, a exposição durou apenas 4 dias, de 13 a 16 de agosto. Quem teve a sorte de passar por lá, presenciou a grandeza do prédio e a maravilhosa decoração em flores.



Bisous!


*Imagens: Ana Laura Visentini